quarta-feira, 18 de maio de 2011

Abbas Kiarostami, um Gênio do Cinema



"Nada acontece nos filmes de Abbas Kiarostami. Tudo acontece nos filmes de Abbas Kiarostami. Afirmações paradoxais, mas que definem de forma resumida e certeira o que é, na essência, o tipo de cinema feito por esse diretor iraniano prestigiado, elogiado e premiado".

Cineasta, fotógrafo, pintor e poeta, o aclamado e várias vezes premiado diretor de cinema Abbas Kiarostami (nascido a 2 de Junho de 1940, em Teerã, no Irã), tem sido um constante inovador da forma de fazer cinema,  sugerindo ao espectador a sua participação para uma conclusão para o filme, onde poderá haver várias possibilidades; Não bastasse essa visão ousada e única de cinema, Abbas Kiarostami tem uma meta: quer chegar ao ponto de fazer um filme em que não exista a figura do diretor.

Após ter terminado sua licenciatura em Belas-Artes na Universidade de Teerã, Abbas dedicou-se à cinematografia, primeiro como assistente de realização, depois como realizador. 

Estreou como diretor de cinema com o filme Nan Va Koutcheh (Pão e pista estreita) em 1970. Rapidamente Kiarostami se destacou pela visão realista que oferecia sobre a sociedade iraniana. Em Mossafer (O Viajante, 1974), construiu uma brilhante parábola sobre um rapaz que abandona a sua aldeia natal e percorre sozinho perto de 500 quilómetros para ir assistir a um jogo de futebol em Teerã, mas que acaba por não conseguir assiti-lo. Contudo, o filme que projetaria a sua carreira a nível internacional foi Khane-ye Doust Kodjast? (Onde é a Casa do Amigo?, 1987), onde relata a história de um menino de uma aldeia pobre, que sai de casa em busca da casa de um companheiro da escola, na ânsia de lhe devolver-lhe um caderno.

A partir daí, os filmes de Kiarostami passaram a ser presença constante em grandes festivais de cinema: Zendegi va digar hich (E a Vida Continua, 1991) foi um brilhante retrato do trágico terramoto que assolou o Irã em 1991. Ganhou a Palma de Ouro do Festival de Cannes com Ta’m e Guilass (Um gosto de Cereja, 1997), um filme que funciona como um ato de glorificação à vida, centrado na figura de um  suicida que tenta encontrar alguém que proceda com seu enterro.

O seu projeto seguinte voltou a merecer reconhecimento mundial: Bad Ma Ra Khahad Bord (O Vento nos Levará, 1999) procurou retratar a vida quotidiana de uma forma pouco convencional, tendo sido agraciado com o Leão de Ouro no Festival de Veneza. Em seguida, enveredou pelo campo da longa-metragem documental, com ABC Africa (2001), onde abordou a questão da Aids.

Nunca deixando de ser um realizador visionário, procurou seguidamente apresentar uma nova visão da mulher iraniana contemporânea em Ten (Dez) em 2002, um filme profundamente marcado pelo intimismo e pela discussão filosófica.

Filmografia

Shirin (2008)
A Cada Um Seu Cinema / Chacun Son Cinéma (Where is my Romeo?) (2007)
Kojast jaye residan (2007)
Roads of Kiarostami (2006)
À Propos de Nice, La Suite (Repérages) (1995)
Mashgh-e Shab (1989)
Avaliha (1984)
Dandan Dard (1983)
Hamshahri (1983)
Be Tartib ya Bedoun-e Tartib (1981)
Behdasht-e Dandan (1980)
Ghazieh-e Shekl-e Aval, Ghazieh-e Shekl-e Dou Wom (1979)
Rah-e Hal (1978)
Az Oghat-e Faaghat-e Khod Cheguneh Estefadeh Konim? (1977)
Bozorgdasht-e Moallem (1977)
Gozaresh (1977)
Lebasi Baray-e Arusi (1976)
Rangha (1976)
Manam Mitunam (1975)
Tajrobeh (1973)
Ghasr-e Jahan Nama (1972)